quinta-feira, maio 17, 2007

Uma chopada "gummy"

Na terça passada fui à chopada do meu curso de graduação, que concluí no fim de 2002. Atravessei a poça por dois motivos: 1) Teria a chance de rever ilustres e saudosos amigos, com os quais tenho tido pouco (ou nenhum) contato; 2) A cerveja seria gratuita e minha entrada, enquanto veterano, idem.

Antes que eu comece a destilar os motivos da minha frustração, é necessário contextualizar o incauto leitor: o curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense não passa dos 12 anos de existência, e recebe, semestralmente, algo em torno de 30 ou 40 calouros. Quando eu entrei na Universidade, no segundo semestre de 1998, o curso recebia 20 inscritos por semestre, e devia ter, no total, cerca de 100 alunos. Mesmo com o grande crescimento auferido no passar de uma década, julgo ainda tratar-se de uma chopada de dimensões até certo ponto humildes, principalmente se comparada com as mega-produções (hoje terceirizadas) das chopadas de cursos como Engenharia e Medicina.


Talvez para os calouros e muitos veteranos que compareceram a este evento, a chopada tenha sido divertida. Pra mim, veterano de tempo imemoriais, foi uma merda. De longe, a pior de todas as chopadas da ProCult que já fui. E vamos aos porquês.


1. A música: estava muito, mas muito ruim. Aquele dance/house de academia, sabe? Pra você ter uma idéia, os melhores momentos sonoros foram flashbacks dos anos 90, tipo Depech Mode, EMF, Deee Lite e coisas do gênero. Imagina só: "Enjoy the silence" sendo o melhor momento de uma festa jovem de 2007! Lembro quando as chopadas tinham Bob Pai e Tchello nas carrapetas, com muita música brasileira e diversidade sonora. Até som ao vivo já teve, jam sessions com calouros subindo pra cantar e tudo! O som dessa edição foi lamentável, e pelo visto o mais contente com o som era o próprio DJ, que dançava tal qual um Go-Go Boy em happy hour no Centro.


2. A cerveja: embora gelada, era liberada em doses homeopáticas. Ocorria basicamente assim: você se acotovela entre os corpos suados de várias pessoas, enche um copo com cerveja, sai e bebe. Quando volta pro refil, só tem gummy (pra quem não conhece, uma bebida feita da infeliz mistura de cachaça com sucos em pó no estilo Ki-suco – pra quem é desse tempo – ou Fresh). Aí você espera uns dez, quinze minutos, e volta a sofrer por mais um copo. Ou seja: pra quem não curte as tais bebidas coloridas tiradas de grandes garrafas pet, a média de dosagem alcoólica era de quatro a cinco copos de plástico de cerveja por hora. Triste pros mais afoitos como eu, que costumam entornar de quatro a cinco vezes essa quantidade no mesmo espaço de tempo.


3. Os jovens: este ponto até passaria despercebido, não fosse a completa ausência de veteranos no local. Houve exceções, é claro, dentre elas saudosos amigos de curso e esquadrilha como Johnny, Raphael, Luisinho e o trio de meninas superpoderosas Gi, Isa e Ju (sem dúvida, os melhores partidos da festa). Todavia, a grande maioria resolveu (sabiamente, reconheço agora) não dar a cara à tapa na chopada. Até porque, sem o apoio de outras lendas históricas, veteranos jurássicos como eu ficam se sentido, como diria o amigo Edu, verdadeiras múmias embalsamadas perto da garotada que era, no mínimo, três copas do mundo mais nova. Pra se ter uma idéia, a certa altura ouvi um jovem mancebo mandar a seguinte pérola dentro do banheiro:


- Peitooooo! Hoje eu quero tocar num peitoooo!!!


Realmente, essa foi a cereja do bolo. Senti-me numa high school americana, só que sem os atiradores revoltados.


4. Os seguranças: os dois ogros postados no umbral da porta de entrada (uso o adjetivo "ogro" pela atitude de brutos, e não pelo tamanho, já que nem eram tão grandes assim) disseram ter sido contratados pela galera organizadora da chopada, que deve ter entrado no curso lá pros idos de 2004, 2005. E como explicar pra esse povo que eu era de 2/98, formado em 2/2002, se eles nunca me viram? Mencionei o nome de professores e funcionários, quase tive que contar historinhas do meu tempo de faculdade, pra finalmente entrar, e ainda ouvindo a seguinte gracinha de um dos brutos: "assim é muito fácil, né?". E pior: como o cigarrinho da confraternização estava terminantemente proibido dentro do local, tinha um pessoal veterano que entrava e saía do estabelecimento - até por uma questão de respeito, se é que vocês me entendem. E os ogros barrando a galera na porta! Diziam pra mim: "ah, tu não vai sair de novo não, tu já entrou e saiu umas cinco vezes!" Ou seja: o cara me reconhecia, sabia que eu era veterano, sabia que veterano entra de graça a qualquer hora, e ainda assim queria impedir meu direito (e o de outros), legalmente constituído pela própria comissão organizadora, de ir e vir.



Enfim, quero deixar claro que não estou culpando a organização do evento - aliás, minha intenção não é, nem de longe, apontar culpados por isso ou aquilo. Só estou usando do meu direito de emitir opinião, desde já antevendo as críticas daqueles que nem conheço. O caso da mochila do camarada só vem piorar as coisas. De maneira que, se nas futuras edições da festa não houver uma adesão em massa da galera da lista da ex-procult, temo ter encerrado (de maneira pífia, infelizmente) minha participação em um evento que já não tem nada a ver comigo e com aqueles que frequentaram o curso de produção cultural e (aqui fico meio melodramático e saudosista, se me permitem) vislumbravam contribuir para a produção de eventos e produtos culturais de qualidade e em consonância com a cultura brasileira, e não fazer do principal evento de socialização e recepção dos novos alunos do curso uma grande festa gummy, com bebida gummy, seguranças gummy e música gummy.

terça-feira, maio 15, 2007

Enólogos de amanhã (propaganda institucional)

sugestão do Bruno




Depois de farmácias, restaurantes e eventos culturais, o Governo do Estado do Rio de Janeiro une esforços com a Prefeitura do Município para lançar a campanha "Enólogos de Amanhã", que contará com o apoio logístico do projeto "Vinho a 1 Real".



Na terceira terça-feira do mês, todos os jovens que apresentarem a carteirinha de estudante (com marca d'água ou carimbo da instituição) ou boleto bancário com a última mensalidade paga terão direito a uma aula sobre vinhos e uma taça de vinho Chardonnay ou Pinot Noir, em qualquer estabelecimento que trabalhe com estas bebidas. Mas atenção, pois o Ministério da Saúde adverte: cada jovem terá direito a apenas uma taça.



No final do ano, aqueles que tiverem acumulado mais conhecimento sobre degustação de vinhos concorrerão a uma viagem ao sul da França para conhecer de perto as famosas vinícolas da região, desfrutando também da companhia de um ilustre e respeitado ator ariano da Rede Globo de televisão.

Sobre as condições desiguais de apropriação cultural

O fato vergonhoso que irei mencionar chegou ao meu conhecimento no balcão do Buteco do Edu – página de um amigo tijucano, que promove uma verdadeira cruzada contra o que chama de bares de merda (“pés-limpos” como Devassa, Manuel & Juaquim, Informal, Espelunca Chic e Belmonte).

O próprio Edu é quem narra:


“Ocorre que recentemente, num desses domingos em que a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro oferece, em suas salas, ingressos para o teatro a R$1,00 (um real), durante a apresentação do musical "Império", no Teatro Carlos Gomes, o afrescalhado ator [Miguel Falabella] esqueceu a fala de seu personagem. E dirigiu-se assim ao público:


"Mas também por R$ 1 eu não tenho a obrigação de decorar o texto".


E ainda acrescentou outra fala ao personagem:


"E quero baixar um decreto: nas noites de R$ 1, fica proibido o uso do banheiro. Ora, por R$ 1 ainda querem o quê? Vão fazer xixi na rua!"




Como o próprio Edu mencionou, o embaraçoso episódio deu-se durante o projeto “Teatro a 1 Real” da Prefeitura do Rio, um programa de políticas culturais que barateia o ingresso de espetáculos teatrais no último domingo de todo o mês, com o intuito de democratizar o acesso de toda a população à cultura (aqui entendida como produto cultural de cunho artístico).


Ações populistas como essa já foram realizadas pelo casal Garotinho em restaurantes e farmácias. Entretanto, quando trata-se de produtos culturais, o buraco é mais embaixo. E digo isso porque a democratização do acesso à cultura não implica, necessariamente, na democratização do consumo e do entretenimento – este entendido como experiência ou vivência pessoal.


Tentarei explicar meu ponto através de um exemplo: se há uma montagem de uma tragédia de Shakespeare com entrada a um real ou um concerto de música clássica gratuito na praia, não resta dúvida de que famílias pobres e ricas terão as mesmas condições materiais de acesso. Entretanto, a possibilidade de fruição destes espetáculos talvez se dê de forma desigual, já que os indivíduos com melhor condição financeira tiveram a chance de, na trajetória de suas vidas, serem socializados num meio onde o acesso a estas obras sempre esteve presente.


A educação fornecida por instâncias como a família e a escola confere aos indivíduos dos estratos médios e altos a oportunidade de absorver os códigos necessários ao entendimento (e conseqüente apropriação) de bens culturais que se encontram distantes das classes populares. Uma vez que tal disposição estética é internalizada e “naturalizada”, a tendência é que seja mais fácil para este indivíduo extrair algum tipo de prazer de uma obra que consegue, de alguma forma, classificar e se apropriar (Adorno diria algo como: rotulo, logo é meu).


Desta forma, a arte deixa de estar necessariamente ligada a um sentido (perguntas como “o que quer dizer essa pintura?” tornam-se irrelevantes) e passa a bastar-se por si só, pela estética – é a “arte pela arte”, como queria Flaubert. Um bom exemplo desse fenômeno pode ser encontrado no quadrinho abaixo, do André Dahmer.



Se um jovem, por outro lado, nasceu em uma comunidade pobre e possui limitado poder aquisitivo, dificilmente terá a oportunidade de ser socializado de forma a introjetar dispositivos estéticos que lhe permitam olhar para um emaranhado de linhas e dizer: “cara, foi na fase cubista que o Picasso atingiu o ápice da criatividade artística!”.


Sem o recurso do aprendizado estético, os indivíduos de poucas posses têm acesso limitado à produção cultural. E quando este acesso é disponibilizado, surge muitas vezes através de políticas públicas de cunho populista como a supracitada, e raramente durante a educação escolar destes indivíduos.


Assim, as distâncias que existem entre as condições materiais (e, consequentemente, de educação) das elites e aquelas dos indivíduos pobres resultam, vez por outra, na falta de respeito e em humilhações perpetuadas por aqueles que, do alto da crença na própria superioridade (uma vez que foram “artisticamente educados” e são, portanto, “mais cultos”), julgam estar fazendo um favor aos “populares” quando, na verdade, fornecem a argamassa para cimentar a barreira paternalista que confere um fluxo desigual às negociações e trocas culturais entre povo e elite.









Para ler mais sobre o assunto, uma boa dica é ir atrás das obras do sociólogo Pierre Bourdieu, como A Economia das Trocas Simbólicas, La Distinción e outras. Os livros de Néstor García Canclini, que misturam sociologia, antropologia e estudos de comunicação, também versam sobre o tema.

sexta-feira, maio 11, 2007

Por baixo da batina

Abro o jornal, ligo a TV, pego o elevador da empresa onde trabalho e parece que só existe um assunto: a visita do papa alemão a São Paulo.


(pausa pra imaginar o caos instaurado naquela cidade já caótica, seguida de um suspiro de alívio por morar no Rio).


Parece ser o momento perfeito para cometer chacinas, seqüestrar pessoas, enfim, praticar todo o tipo de abuso concebível, uma vez que ninguém está interessado em qualquer assunto que não seja relacionado ao intelectual pontífice.


Inteligentes e perspicazes que são, nossos deputados souberam aproveitar-se deste religioso momento e tomaram uma atitude talvez pouco católica: aprovaram, na última quarta, um reajuste de 28,5% nos salários dos parlamentares, dos ministros, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente, José Alencar.


A Folha de Sampa nem fez questão de esconder o óleo de peroba estampado na cara desses malandros: diz a reportagem que “os parlamentares aproveitaram a visita do papa Bento XVI ao Brasil para colocar, sem alarde, o assunto na pauta de votações da Câmara”.


Se tal projeto for também envernizado pelo Senado Federal, o salário dos deputados e senadores vai passar dos atuais R$ 12.847 para R$ 16.512,09. Lula, que recebe atualmente R$ 8.885, passa a receber R$ 11.420, pela proposta aprovada. Já o salário de Alencar e dos demais ministros subiria dos atuais R$ 8.362 para R$ 10.748.






Mas quem vai preocupar-se com isso, enquanto Frei Galvão torna-se o primeiro santo brasileiro?





É nessas horas que dou graças a Deus por ser ateu.

quinta-feira, maio 10, 2007

Sobre a Teoria da Conspiração


O termo que dá título a este post é conhecido de todos, e possui tanta popularidade que encontra-se em mais de 127 mil páginas, segundo o Grande Oráculo.


A definição do Wikipedia é simplória, mas serve: “é uma teoria que supõe que um grupo de conspiradores está envolvido num plano e suprimiu a maior parte das provas desse mesmo plano e do seu envolvimento nele. O plano pode ser qualquer coisa desde a manipulação de governos, economias ou sistemas legais até à ocultação de informações científicas muito importantes”.


Nesse buraco negro da conspiração, encontram-se fatos discutíveis como o assassinato de Kennedy, a chegada de extraterrestres à Terra, a presença de um suposto símbolo maçon na nota de um dólar e a mais clássica de todas: a discussão sobre se o homem, de fato, pisou na Lua, ou se foi tudo um vídeo feito pelo cineasta David Lynch nos desertos de Nevada para a Nasa, que estava puta com os soviéticos e sua imponente espaçonave MIR.


Em tempo de internê, é impossível confiar em tudo o que se lê por aí. Mas como me interesso por essas “teorias conspiratórias”, independente de dar algum crédito a elas, vou citar três histórias recentes, no mais escrachado estilo Jack Palance. Com isso, pretendo provocar no leitor um dos seguintes efeitos: ou coloco a pulga atrás da orelha, ou um sorriso largo no meio da cara.





Caso 1: Tsunami

Os teóricos da conspiração acreditam que a explosão foi causada pelos norte-americanos para alterar a órbita da Terra, de forma a impedir que um asteróide colidisse com nosso planetinha azul-cinzento. Segundo a teoria, existiam 8 ogivas nucleares submersas no Indico Sul desde 1978, quando um submarino americano afundou por lá, e teriam sido estas as ogivas explodidas pelo governo estadunidense em 2004. A operação, claro, teria ocorrido no maior sigilo, já que nenhum governo haveria de concordar com tal estratégia. Isso justificaria o fato daquele país saber com antecedência do efeito Tsunami, embora não tenha avisado a nenhum dos países da região “por falta de tempo” (o texto completo dessa conspiração está aqui).





Caso 2: 11 de Setembro

Esta teoria está balizada por livros como 11 de Setembro, uma terrível farsa, de Thierry Meyssan, e documentários como o Fahrenheit 911, de Michael Moore, e 9/11 Mysteries, que está disponível na página do camarada Revolution 9-11. Em linhas gerais, a responsabilidade do ato é atribuída a George W. Bush, como uma manobra para justificar as investidas do país contra países produtores de petróleo com os quais os EUA não possuem relações diplomáticas – como o Iraque do hoje falecido Saddam Hussein. Todos os argumentos desse suposto pseudo-atentado encontram-se aqui.





Caso 3: O Foguete Brasileiro

Este caso está diretamente ligado a nós, brazucas, e diz respeito à morte de 21 funcionários civis do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) na explosão do foguete brasileiro VLS (Veículo Lançador de Satélites) na Base de Alcântara, no Maranhão, em 2003. Os depoimentos do Ministro Ronaldo Sardenberg, do brigadeiro Reginaldo dos Santos e do vice-presidente da Sociedade Brasileira de Direito Espacial José Monserrat Filho, todos anteriores à explosão, são convergentes: “Washington nunca engoliu a idéia de que o Brasil pudesse desenvolver o foguete VLS”.


Entre os 21 mortos estavam técnicos e engenheiros com cerca de 20 anos de experiência, um capital de conhecimento humano totalmente perdido em um único acidente. No site Mídia Independente, um leitor comenta que “Ucrânia e Brasil estavam entrando num acordo e excluindo os EUA dos futuros lançamentos, parceria muito bem vinda e ousada no terceiro mundo”.


Outro leitor é ainda mais enfático:


“A equipe do CTA de São Bernardo era muito boa mesmo, os caras eram os únicos que tinham conhecimento dessa tecnologia no Brasil, pra formar outros iguais vai demorar anos. E além do mais os americanos tinham acesso irrestrito a base, proibindo inclusive a entrada de brasileiros, eles conheciam o programa mais que os próprios técnicos do CTA. A turbina explodiu no "lugar certo na hora certa". As coisas começam a ficar claras a partir de agora, os EUA não vão tolerar que alguém no mundo ouse possuir tecnologia similar a deles nem para fins pacíficos, no caso levar satélites de TELECOM”.


A presença de um navio norte-americano navegando na costa do Maranhão alguns anos antes leva os conspiratórios a uma hipótese: “os sistemas de destruição foram acionados intencionalmente por um sinal transmitido aos 55,9 segundos de vôo por alguém fora do centro de lançamento de Alcântara”.


Acredite... se quiser.



*


Note o caro leitor que, em todos estes três casos (e na maioria dos outros existentes), é sempre o governo dos EUA o grande responsável pelos males do mundo. Será conspiração demais, ou estaríamos certos em afirmar que é lá que está o lado negro da força?




quarta-feira, maio 09, 2007

Parafraseando



"As pessoas acham que sou um intelectual porque uso óculos, e acham que sou um artista porque os meus filmes dão prejuízo, mas, de fato, sempre tive uma vida de pequeno-burguês totalmente normal".





Woody Allen

segunda-feira, maio 07, 2007

Famosos na cara do gol

A moderna tecnologia prestou um grande serviço aos amantes do futebol, que hoje podem conferir replays de gols e de belas jogadas, de faltas, contar com o recurso do tira-teima para xingar o juiz com propriedade e assim por diante.


Mas, de uns tempos pra cá, em meio a estes interessantes replays de tudo quanto é ângulo, passamos a ser obrigados a assistir flashes de celebridades (ou, como dizemos mais apropriadamente, de “famosos”) que, sem dúvida, devem receber ingressos gratuitos para o “camarote global” com o intuito de mostrarem suas famosas caras para as câmeras da emissora azul-marinho.


Agora me diz uma coisa: porque é que, junto ao replay do belo gol do Dodô (sou flamengo e tenho uma nega chamada bonita, mas não deixo de admirar belos gols como o de Dodô), eu tenho que ver a tristeza nos olhos da Carol Castro e a alegria explosiva da ex-malhação Samara Felippo? Ou discutir se é melhor ter Stephan Necersian ou Gabriel O Pensador como colega de time?





Esbravejos à parte, só existe uma vantagem no fato do futebol carioca estar pior do que o paulista: não ter a final do nosso campeonato narrada pelo Galvão Bueno.

sexta-feira, maio 04, 2007

Se os homens menstruassem

Sexta-feira, humor melhorando (santa semana de apenas três dias de trabalho!). Resolvi postar um texto, escrito pela feminista Gloria Steinem, que tem como mérito o fato de levantar algumas questões sobre as diferenças entre o universo masculino e feminino, de forma interessante e irreverente. Apesar de ser tão velho quanto eu, este texto continua atual em muitos aspectos, e mostra que a igualdade de gêneros está ainda longe de ser alcançada.




“Se os homens menstruassem”, por Gloria Steinem (1978)


Morar na Índia me fez compreender que a minoria branca do mundo passou séculos nos enganando para que acreditássemos que a pele branca faz uma pessoa superior a outra. Mas na verdade a pele branca só é mais suscetível aos raios ultravioleta e propensa a rugas.


Ler Freud me deixou igualmente cética quanto à inveja do pênis. O poder de dar à luz faz a “inveja do útero” mais lógica e um órgão tão externo e desprotegido como o pênis deixa os homens extremamente vulneráveis.


Mas ao ouvir recentemente uma mulher descrever a chegada inesperada de sua menstruação (uma mancha vermelha se espalhara em seu vestido enquanto ela discutia, inflamada, num palco) eu ainda ranjo os dentes de constrangimento. Isto é, até ela explicar que quando foi informada aos sussurros deste acontecimento óbvio, ela dissera a uma platéia 100% masculina: “Vocês deveriam estar orgulhosos de ter uma mulher menstruada em seu palco. É provavelmente a primeira coisa real que acontece com vocês em muitos anos!”


Risos. Alívio. Ela transformara o negativo em positivo. E de alguma forma sua história se misturou à Índia e a Freud para me fazer compreender finalmente o poder do pensamento positivo. Tudo o que for característico de um grupo “superior” será sempre usado como justificativa para sua superioridade e tudo o que for característico de um grupo “inferior” será usado para justificar suas provações. Homens negros eram recrutados para empregos mal pagos por serem, segundo diziam, mais fortes do que os brancos, enquanto as mulheres eram relegadas a empregos mal pagos por serem mais “fracas’. Como disse o garotinho quando lhe perguntaram se ele gostaria de ser advogado quando crescesse, como a mãe, “Que nada, isso é trabalho de mulher.” A lógica nada tem a ver com a opressão.


Então, o que aconteceria se, de repente, como num passe de mágica, os homens menstruassem e as mulheres não?


Claramente, a menstruação se tornaria motivo de inveja, de gabações, um evento tipicamente masculino:


Os homens se gabariam da duração e do volume.


Os rapazes se refeririam a ela como o invejadíssimo marco do início da masculinidade. Presentes, cerimônias religiosas, jantares familiares e festinhas de rapazes marcariam o dia.


Para evitar uma perda mensal de produtividade entre os poderosos, o Congresso fundaria o Instituto Nacional da Dismenorréia. Os médicos pesquisariam muito pouco a respeito dos males do coração, contra os quais os homens estariam, hormonalmente, protegidose muito a respeito das cólicas menstruais.


Absorventes íntimos seriam subsidiados pelo governo federal e teriam sua distribuição gratuita. E, é claro, muitos homens pagariam mais caro pelo prestígio de marcas como Tampões Paul Newman, Absorventes Mohammad Ali, John Wayne Absorventes Super e Miniabsorventes e Suportes Atléticos Joe Namath — “Para aqueles dias de fluxo leve”.



As estatísticas mostrariam que o desempenho masculino nos esportes melhora durante a menstruação, período no qual conquistam um maior número de medalhas olímpicas.


Generais, direitistas, políticos e fundamentalistas religiosos citariam a menstruação (”men-struação”, de homem em inglês) como prova de que só mesmo os homens poderiam servir a Deus e à nação nos campos de batalha (”Você precisa dar seu sangue para tirar sangue”), ocupariam os mais altos cargos (”Como é que as mulheres podem ser ferozes o bastante sem um ciclo mensal regido pelo planeta Marte?”), ser padres, pastores, o Próprio Deus (”Ele nos deu este sangue pelos nossos pecados”), ou rabinos (”Como não possuem uma purgação mensal para as suas impurezas, as mulheres não são limpas”).


Liberais do sexo masculino insistiriam em que as mulheres são seres iguais, apenas diferentes. Diriam também que qualquer mulher poderia se juntar à sua luta, contanto que reconhecesse a supremacia dos direitos menstruais ("O resto não passa de uma questão”) ou então teria de ferir-se seriamente uma vez por mês ("Você precisa dar seu sangue pela revolução”).


O povo da malandragem inventaria novas gírias ("Aquele ali é de usar três absorventes de cada vez”) e se cumprimentariam, com toda a malandragem, pelas esquinas dizendo coisas tais como:


— Cara, tu tá bonito pacas!
— É cara, tô de chico!



Programas de televisão discutiriam abertamente o assunto. (No seriado Happy Days: Richie e Potsie tentam convencer Fonzie de que ele ainda é “The Fonz”, embora tenha pulado duas menstruações seguidas. Hill Street Blues: o distrito policial inteiro entra no mesmo ciclo.) Assim como os jornais, (TERROR DO VERÃO: TUBARÕES AMEAÇAM HOMENS MENSTRUADOS. JUIZ CITA MENSTRUAÇÃO EM PERDÃO A ESTUPRADOR.) E os filmes fariam o mesmo (Newman e Redford em Irmãos de Sangue).


Os homens convenceriam as mulheres de que o sexo é mais prazeroso “naqueles dias”. Diriam que as lésbicas têm medo de sangue e, portanto, da própria vida, embora elas precisassem mesmo era de um bom homem menstruado.


As faculdades de medicina limitariam o ingresso de mulheres (”elas podem desmaiar ao verem sangue”).


É claro que os intelectuais criariam os argumentos mais morais e mais lógicos. Sem aquele dom biológico para medir os ciclos da lua e dos planetas, como pode uma mulher dominar qualquer disciplina que exigisse uma maior noção de tempo, de espaço e da matemática,ou mesmo a habilidade de medir o que quer que fosse? Na filosofia e na religião, como pode uma mulher compensar o fato de estar desconectada do ritmo do universo? Ou mesmo, como pode compensar a falta de uma morte simbólica e da ressurreição todo mês?


A menopausa seria celebrada como um acontecimento positivo, o símbolo de que os homens já haviam acumulado uma quantidade suficiente de sabedoria cíclica para não precisar mais da menstruação.


Os liberais do sexo masculino de todas as áreas seriam gentis com as mulheres. O fato “desses seres” não possuírem o dom de medir a vida, os liberais explicariam, já é em si castigo bastante.


E como será que as mulheres seriam treinadas para reagir?


Podemos imaginar uma mulher da direita concordando com todos os argumentos com um masoquismo valente e sorridente. (A Emenda de Igualdade de Direitos forçaria as donas de casa a se ferirem todos os meses : Phyllis Schlafy. “O sangue de seu marido é tão sagrado quanto o de Jesus e, portanto, sexy também!”: Marabel Morgan.) Reformistas e Abelhas Rainhas ajustariam suas vidas em torno dos homens que as rodeariam. As feministas explicariam incansavelmente que os homens também precisam ser libertados da falsa impressão da agressividade marciana, assim como as mulheres teriam de escapar às amarras da “inveja menstrual”. As feministas radicais diriam ainda que a opressão das que não menstruam é o padrão para todas as outras opressões. (”Os vampiros foram os primeiros a lutar pela nossa liberdade!”) As feministas culturais exaltariam as imagens femininas, sem sangue, na arte e na literatura. As feministas socialistas insistiriam em que, uma vez que o capitalismo e o imperialismo fossem derrubados, as mulheres também mens-truariam. (“Se as mulheres não menstruam hoje, na Rússia”, explicariam, “é apenas porque o verdadeiro socialismo não pode existir rodeado pelo capitalismo”).


Em suma, nós descobriríamos, como já deveríamos ter adivinhado, que a lógica está nos olhos do lógico. (Por exemplo, aqui está uma idéia para os teóricos e lógicos: se é verdade que as mulheres se tornam menos racionais e mais emocionais no início do ciclo menstrual, quando o nível de hormônios femininos está mais baixo do que nunca, então por que não seria lógico afirmar que em tais dias as mulheres comportam-se mais como os homens se portam o mês inteiro? Eu deixo outros improvisos a seu cargo.*


A verdade é que, se os homens menstruassem, as justificativas do poder simplesmente se estenderiam, sem parar.


Se permitíssemos.





* Meus agradecimentos [da autora] a Stan Pottinger pelos muitos improvisos incluídos neste texto.






FONTE: STEINEM, Gloria. Memórias da Transgressão: momentos da história da mulher no século XX. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997. p. 416-419.

quinta-feira, maio 03, 2007

Sobre a Loucura


Faltam dois anos para que o livro Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam (1467-1536), complete 500 anos. Como não sei se a violência, o aquecimento global ou a iminente invasão (militar) dos EUA ou (cultural) da China me permitirão estar vivo até então, resolvi antecipar minha homenagem a este belo e irreverente livro.


Escrito em 1509 na casa de Thomas Morus – ou More (1478- 1535), o Elogio da Loucura trata exatamente sobre o que o título propõe: a Loucura, enquanto interlocutora, faz uma espécie de ode a si mesma – uma vez que os homens são ingratos e não se atreveriam a tanto.


Esta homenagem auto-referida justifica-se pela Loucura acreditar ser, ela própria, responsável pela alegria dos homens e dos deuses, das crianças e dos velhos. Isto porque, enquanto “estado natural do homem”, se contrapõe à sabedoria, e neste sentido arranca felicidade do agir sem pensar, da ação desmesurada e despreocupada. É por estes motivos, aliás, que a Loucura julga ser responsável pelo matrimônio – afinal, quem, em sã consciência, se atiraria em tal direção por livre e espontânea vontade?


Diz a Loucura:


“Afinal de contas, nenhuma sociedade, nenhuma união grata e durável poderia existir na vida sem a minha intervenção: o povo não suportaria por muito tempo o príncipe, nem o patrão o servo, nem a patroa a criada, nem o professor o aluno, nem o amigo o amigo, nem o marido a mulher, nem o hospedeiro o hóspede, nem o senhorio o inquilino, etc., se não se enganassem reciprocamente, não se adulassem, não fossem prudentemente cúmplices, temperando tudo com um grãozinho de loucura”.


É importante contextualizar a época em que o livro foi escrito, e ter em mente que Erasmo era um humanista, defensor da natureza em detrimento das ciências, que levariam o homem a um estado artificial (este é, pelo menos, meu parco entendimento sobre o que rolava na época). É neste contexto histórico que a Loucura enaltece as palavras de Sófocles ("quanto menor a sabedoria, maior a felicidade") enquanto critica a conduta de Sócrates:


“Mas, afinal de contas, porque é que esse grande homem foi acusado perante os magistrados? Porque foi ele condenado a beber cicuta? Não teria sido, talvez, a sua sabedoria a causa de todos os seus males e, finalmente, de sua morte? Tendo passado toda a vida a raciocinar em torno das nuvens e das idéias, ocupando-se em medir o pé de uma pulga e se perdendo em admirar o zumbido do pernilongo, descuidou-se esse filósofo do estudo e do conhecimento dos homens, bem como da arte sumamente necessária de se adaptar a eles”.


Ter contato com este livro durante o mestrado aprouve-me de várias maneiras, sobretudo por tratar-se de uma leitura leve e por destilar, de forma bastante humorada, críticas sagazes à figura do “sábio” ou “intelectual”. Os trechos que cito abaixo são o melhor exemplo do que digo. Divirtam-se com a descrição do sábio feita pela Loucura.


“Vede aqueles homens magros, tristes e rabugentos que se dedicam ao estudo da filosofia ou alguma outra coisa difícil e séria; a alma deles, constantemente agitada por uma multidão de pensamentos diversos, influi sobre seu temperamento; os espíritos vitais dissipam-se em grande abundância, o úmido fica seco, e geralmente eles se tornam velhos antes de terem sido jovens”.


“Meus loucos, ao contrário, sempre gordos, trazem no rosto a imagem brilhante da saúde e da fartura. E certamente não sentiriam nenhuma das fraquezas se não fossem sempre um pouco afetados pelo contágio dos sábios”.


“Convidai um sábio para um banquete, e vereis que ou conservará um profundo silêncio ou interromperá os demais convidados com frívolas e importunas perguntas. Convidai-o para um baile, e dançará com a agilidade de um camelo. Levai-o a um espetáculo, e bastará o seu aspecto para impedir que o povo se divirta. (...) Entra o sábio em alguma palestra alegre? Logo todos se calam, como se tivessem visto o lobo. Trata-se, porém, de comprar, de vender, de concluir um contrato, em suma, de fazer uma dessas coisas que diariamente sucedem a cada um? Tomareis o sábio mais por uma estátua do que por um homem, a tal ponto se mostra ele embaraçado em cada negócio. Assim, o filósofo não é bom, nem para si, nem para o seu país, nem para os seus. Mostrando-se sempre novo no mundo, em oposição às opiniões e aos costumes da universalidade dos cidadãos, atrai o ódio de todos com sua diferença de sentimentos e de maneiras”.


...

quarta-feira, maio 02, 2007

A Zica está solta

Uma amiga do trabalho atropelada de manhã, uma tentativa (não consumada) de assalto no fim da tarde, uma tentativa de roubo (essa sim, consumada) de madrugada. Tudo no mesmo dia, num raio de menos de um quilômetro.

Dias depois, ainda parece que a Zica ronda, levando até mesmo a inspiração de escrever.

Volto aqui assim que a frente fria for embora.

quinta-feira, abril 26, 2007

Tempos de Nóia

Vivemos tempos de nóia.

A chamada “escalada da violência” nas grandes cidades, explorada sem piedade pelos grandes veículos de comunicação de tendência duvidosa, produz um efeito de bola de neve que faz com que muitos “cidadãos de bem” tenham os batimentos cardíacos acelerados com o simples estouro de um estalinho na rua.


Penso que a sensação da violência – e não a violência per se – seja uma das principais responsáveis pelo sentimento de apreensão que acompanha muitos de nós. Ontem, por exemplo, vi um garoto, com aspecto de morador de rua, iniciar uma briga no Arco-íris, bar da Lapa, porque o garçom havia encostado nele ao pedir que saísse do estabelecimento. Alguns amigos que chegaram depois ouviram meu relato do ocorrido, que envolveu voadoras, mata-leões e garrafas quebradas – tudo verídico.


Aqueles que me ouviram não viveram a violência por mim descrita – mas tiveram a sensação da violência bem próxima. E muitos dos freqüentadores que estavam no local provavelmente contaram a mesma história para outras pessoas, que também experimentaram semelhante sensação. O mesmo ocorre quando alguém é assaltado: embora somente uma pessoa viva a violência de fato, diversas outras pessoas ouvirão o relato e dirão: “porra, o Rio está cada vez mais violento!”. O que pode não ser uma verdade de fato – o aumento dos índices de criminalidade – transmuta-se em uma sensação de aumento da violência, uma vez que a divulgação desse tipo de informação promove correlato tipo de sensação.


E agora, em tempos de internet, existe uma modalidade nova desse tipo de “terrorismo”: são e-mails que, com a intenção de prevenir os “cidadãos de bem” (pois que muitos são supostamente assinados pela polícia, alguns com o título de “utilidade pública”), produzem o efeito de aterrorizar as pessoas. É de deixar neurótico qualquer um que leve o negócio a sério. Vamos então a alguns exemplos, retirados dessa modalidade de e-mails a qual me refiro:



“Você e seus amigos estão num bar, batendo papo, tomando uma cervejinha e se divertindo. De repente, chega um individuo e pergunta de quem é o carro tal, com placa tal, estacionado na rua tal, solicitando que o proprietário dê um pulinho lá fora para manobrar o carro, que está dificultando a saída de outro carro. Você, bastante solícito, vai e, ao chegar até o seu carro, anunciam o assalto e levam seu carro e seus pertences. E ainda terá sorte se não levar um tiro...”


Essa, então, é clássica:


“Comunidades do Orkut e sites pessoais estão repletos de gente que afirma ter tido seu rim roubado depois de ser dopado na balada. A vítima geralmente sai para se divertir com os amigos e não presta atenção à sua bebida. O interessado no rim joga algo dentro do copo, leva a vítima sedada para casa, arranca seu rim e deixa o atacado dentro de uma banheira com gelo até a cintura. Quando acorda, o jovem, de ressaca, lê no espelho de seu banheiro: “Corra para o hospital. Roubamos seu rim e você pode morrer de hemorragia”. O rim acaba indo para grupos de contrabando de órgãos internacionais e a vítima passa o resto da vida fazendo hemodiálise”.


As mulheres, nesses casos, são as que mais se fodem, vejam só:


“Quando as mulheres vão a toaletes, banheiros, quartos de hotel, vestiários de mudar de roupa, academias, etc., quantas podem estar certas de que o espelho, aparentemente comum, pendurado na parede, é um espelho de verdade ou um espelho de duas direções? (daqueles em que você vê sua imagem refletida, mas alguém pode te ver do outro lado do vidro como os da Casa dos artistas e Big Brother). Tem havido muitos casos de pessoas instalando espelhos de duas direções em locais freqüentados por mulheres, para filmar, fotografar ou simplesmente ficar olhando”.


E as dicas para se safar de um estupro?


“1 - A primeira coisa que eles olham em uma vítima potencial é o penteado. É mais provável que eles ataquem uma mulher com rabo-de-cavalo, coque, trança ou qualquer outro penteado que seja possível puxar mais facilmente. É provável também que ataquem mulheres com cabelos longos. Mulheres com cabelos curtos não são alvos comuns.

2 - A segunda coisa que eles olham é a roupa. Eles vão olhar para mulheres em que a roupa seja fácil de tirar rapidamente. Eles também procuram mulheres falando no celular ou fazendo outras coisas enquanto anda, isto sinaliza que estão desatentas e desarmadas e podem ser facilmente apanhadas.

3 - A hora do dia em que eles mais atacam e estupram mulheres é no começo da manhã, entre as 5:00h e 8:30 horas.

4 - O lugar campeão para apanhar mulheres é o lugar onde ficam os estacionamentos de escritórios. Em segundo lugar, estão os banheiros públicos.

(...) 7 - Disseram que não pegam mulheres que carregam guarda-chuvas ou objetos que possam ser usados como arma a uma certa distância (chaves não os intimidam, porque para ser usadas como arma, a vítima tem que deixá-los chegar muito perto).

(...) 10 - Esteja sempre atenta ao que se passa à sua volta. Caso perceba algum comportamento estranho, não o ignore. Siga seus instintos. Você pode até descobrir que se enganou, ficar meio desnorteada no momento, mas pode ter certeza de que ficaria muito pior se o rapaz realmente atacasse”.


Tirando o caso do rim, típica lenda urbana (que, pelo que li, circula inclusive em países da Europa e nos EUA), não duvido que os outros casos possam ser verdadeiros. Só duvido que, entre o efeito de prevenção e a paranóia generalizada, esse tipo de e-mail produza algum aspecto positivo. Mas é melhor nos acostumarmos, pois vivemos tempos de nóia e a qualquer momento um lunático pode te estuprar, levar seu carro, te abrir pra tomar o seu rim ou simplesmente te espiar enquanto você troca de roupa na academia.


E quanto a você, mulher, é melhor que, para sua própria segurança, corte os cabelos bem curtinhos, ande de guarda-chuva constantemente, chegue atrasadas ao trabalho para não saírem às ruas antes das oito e meia, não vá de carro e nunca mije na rua.


Afinal, é como ensina a sabedoria popular:


“quem tem cu tem medo”.


Cuidado!!!

sexta-feira, abril 20, 2007

Dois filmes brasileiros no Odeon

Ontem à noite fui ao Odeon com minha bonita para assistir dois filmes brasileiros, sem sair de cima. Achei ambos os filmes tão bons, que resolvi recomendá-los neste espaço. Para quem se interessar, aproveitem que os dois continuam em cartaz durante essa semana. E o Odeon é ótimo, só de não estar dentro dum shopping (e de ser um dos dois sobreviventes da praça que outrora foi a terra dos cinemas) já sai na frente de qualquer multiplex.



Antes de entrar na sala de projeção, eu já sabia que o documentário Cartola, dirigido pelo pernambucano Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, seria emocionante. E, obviamente, não estava enganado. Estão todos lá, em vídeos ou em depoimentos antigos: Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Carlos Cachaça, Nelson Sargento, Elizeth Cardoso, Elza Soares, Nara Leão, Chico Buarque, Beth Carvalho e vários outros bambas.


Duas curiosidades interessantes: uma, que eu já sabia, é o fato de Cartola (1908-1980) ter sido re-descoberto por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, enquanto guardava carros em um edifício em Ipanema. Sumido da Mangueira desde 1948, foi somente em 1956 que Cartola, a partir deste encontro com Stanislaw (este um jornalista influente), arrumou um emprego numa repartição pública e voltou ao cenário da música brasileira. O primeiro disco de Cartola sairia somente em 1974, quando o cantor mangueirense já contava 65 anos de vida. É talvez a maior obra-prima do samba, reunindo, numa só bolacha, Disfarça e Chora, O Sol Nascerá, Sim, Alegria, Acontece, Tive Sim, Corra e Olhe o Céu, Amor Proibido e Alvorada.


A outra curiosidade é a resposta de Cartola à pergunta de um repórter: “quem você gostaria que gravasse uma música sua”? (Àquela altura, muita gente já tinha gravado Cartola, especialmente As Rosas não Falam). E o grande Angenor de Oliveira responde mais ou menos assim: “Olha, aquele garoto, o Roberto Carlos, tinha manifestado a vontade de gravar uma música minha. Eu ia ficar muito satisfeito se ele gravasse”.


Mas o rei RC nunca atendeu ao pedido.






O outro filme é uma comédia, dessa feita com personagens esquisitos e perturbados. Confesso que, atualmente, tenho muita dificuldade de rir em comédias. O humor que me apraz não é feito com pastelões americanos, piadas sobre peido ou no estilo global diarista-sob nova direção-casseta e planeta, mas sim com muita acidez, personagens escrotos e situações tendendo para o politicamente incorreto - sem forçação de barra. E é como defino O Cheiro do Ralo, dirigido por Heitor Dhalia e baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli. O personagem de Selton Mello, Lourenço, é o cara mais escroto que existe, e é aí que está metade da graça do filme.


O filme, basicamente, é sobre um ralo, um olho e uma bunda. Entre essas três opções, fico com a bunda, e com a frase superescrota do Lourenço:


“Eu poderia passar semanas só olhando pra essa bunda. Mas eu não quero casar com essa bunda. Eu quero é comprar ela pra mim”.




Cartola - Música para os Olhos: 13h15 17h 20h45 exceto segunda, terça e quinta

O Cheiro do Ralo: 15h 18h45

quinta-feira, abril 19, 2007

Caio Prado Júnior

Em razão do centenário de Caio Prado Júnior, a Biblioteca Nacional promove, agora às três da tarde, uma mesa-redonda com o título Caio Prado Júnior: vida e obra. Também ficará aberta na BN, até o dia 18 de maio, uma exposição dedicada ao centenário deste grande intelectual brasileiro.


Há algum tempo atrás, postei aqui um texto que mencionava fatos recentes da História do Brasil e separei, naquela ocasião, uma frase do livro Evolução Política do Brasil (1933), de Prado Jr (que acabei não usando). Reproduzo-a agora, uma vez que considero tal frase bastante pertinente para repensarmos a História que tradicionalmente nos é ensinada nas escolas e em muitas universidades:



“Os heróis e os grandes feitos não são heróis e grandes senão na medida em que acordam com os interesses das classes dirigentes, em cujo benefício se faz a história oficial”.



E seguindo o rastro de homenagens, encerro esta postagem com outra bela frase de Prado Jr, que consta no folder de divulgação do evento supracitado:



"Refiro-me ao intelectual atuante, ao homem de pensamento que não se encerra em torre de marfim, e daí contempla sobranceiro o mundo, (...) aquele que procura colocar o seu pensamento a serviço da coletividade em que vive e da qual efetivamente participa".

terça-feira, abril 17, 2007

Contagem de corpos

Já escrevi hoje aqui no blog, e o tema é inclusive bem mais palatável do que esse. Mas não pude me furtar de desabafar aqui depois do que acabou de acontecer.


Há alguns minutos, por volta das 15hs, escutei três tiros do escritório onde trabalho, junto ao Consulado Estadunidense. Já está na página virtual do Globo (e os ascensoristas daqui, e por extensão todos no prédio, já sabem): uma tentativa de assalto resultou num assaltante morto e duas pessoas feridas (outro assaltante e o assaltado).


Lembrei-me então que chegara atrasado hoje por causa de um congestionamento causado pela chamada “guerra do tráfico” no Morro da Mineira, localizado em cima do túnel Santa Bárbara. O Globo virtual revela: “pelo menos 14 bandidos, segundo a PM, morreram na favela”.


Até agora, portanto, já contamos 15 mortos.


A esses quinze, podemos somar um empresário de funkeiros morto a tiros no Irajá e seis homens mortos a tiros por policiais na favela do Rebu, em Senador Camará, na madrugada de ontem pra hoje.


Nas minhas contas, 15 + 7 = 22.


A divertida Nair Belo também faleceu, mas de morte natural, então não conta. São, até agora (e que eu saiba, podem haver mais) 22 mortes por armas de fogo em menos de 24 horas – e só na cidade do Rio de Janeiro.


E qual a manchete de capa de hoje do mesmo Globo?


“A maior tragédia das armas”.


Mas eles estão se referindo ao massacre feito por um sul-coreano numa universidade da Virginia. O cara matou 32 pessoas por lá. Mas sei que, se o pessoal daqui se esforçar, sem dúvidas consegue bater esse recorde.


Pronto, era isso. Depois desse breve choque de realidade, podemos voltar à mediocridade de nossas vidas, num lugar onde a vida não vale a pedra portuguesa em que se pisa.



Os livros com os quais andei

Desde a mais tenra idade, sempre fui um moleque obsessivo. Tendo desenvolvido o hábito da leitura desde cedo (o que agradeço a meus pais e ao Colégio de Aplicação), caso eu simpatizasse com o estilo de algum escritor, passava imediatamente a devorar toda a sua obra. Comecei pelos que existiam na casa do meu pai, em sua maioria best-sellers: li uns dez livros de Sidney Sheldon, até cansar daquele estilo e partir pra Agatha Christie, de quem li mais uns quinze títulos. Depois foi a vez de Stephen King, mastigando quase tudo que este autor havia produzido na época.


Fazendo esta digressão pelo meu passado, aliás, vi que passei boa parte de minha infância e pré-adolescência lendo livros gringos de suspense. Os títulos brasileiros acabaram tendo pouco espaço nas minhas prateleiras, débito este que pretendo corrigir nos longos anos que me aguardam.


Mas voltando ao assunto, depois de um longo período compulsivo fui finalmente apresentado a Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, cujo estilo literário me era completamente estranho e pelo qual fiquei fascinado. E daquele momento em diante, minha obsessão passou a ser não propriamente um autor, mas sim um estilo específico, conhecido como realismo mágico (ou realismo fantástico), que encontrou na América Latina o seu mais profícuo terreno.

Em muitos livros deste estilo, os autores recorrem a narrativas fantásticas para contar histórias verdadeiras de lutas dos povos oprimidos, como o extermínio de trabalhadores grevistas na Colômbia em Cem Anos ou a revolta camponesa no Peru contra uma empresa mineradora norteamericana em Bom-dia para os Defuntos (livro que, aliás, já foi muito bem recomendado no quintal do camarada Diogo Lyra).


O segredo do realismo mágico reside, segundo o português João de Melo, na descoberta de uma prática ficcional “simples e simultaneamente deslumbrada, recorrendo aos grandes temas sociais, sem dúvida, mas envolvendo as realidades descritas numa auréola de sonhos, crenças e rituais lendários que bem podem estar na origem de uma nova mitologia literária.” Nada que pudesse satisfazer com mais propriedade meus anseios literários.


De fato, não é difícil aproximar a mitologia grega clássica do realismo mágico. Além da aura de fábula, da naturalização do fantástico e da presença do elemento sensorial como parte da percepção da realidade, também podemos encontrar em ambos os estilos uma representação cíclica do tempo, onde presente e passado se visitam e se misturam sem respeitar uma linearidade.


Isso me remete à história deus grego Prometeu, que enfureceu Zeus por levar o fogo à humanidade e, como castigo, foi amarrado ao Monte Cáucaso, onde todos os dias uma águia monstruosa devorava parte do seu fígado – que voltava a crescer e era devorado no dia seguinte, todos os dias, por um período de cerca de 12 gerações. E o que dizer do cavalo de Pedro Páramo (primoroso livro de Juan Rulfo), que continuava a cavalgar todas as noites até a casa da amada de seu dono – mesmo depois deste ter morrido?


Estou seguro (expressão típica da língua espanhola) que até hoje nenhum estilo literário me foi tão instigante quanto o tal realismo mágico – tanto que já reli maioria dos livros que tenho. Assim, àqueles que não tiveram a oportunidade de se maravilhar com a fantasia latino-americana, deixo uma lista contendo alguns destes títulos, para que possam fazê-lo no futuro (ou no passado, já que nestas histórias o tempo é relativo):


De Gabriel García Márquez: Amor nos Tempos do Cólera, uma fantástica história de amor; Memórias de Minhas Putas Tristes, o mais recente, curto e lírico, ideal pra os neófitos que desejam se iniciar na leitura; e Cem Anos de Solidão, hors concours, que emplacou inclusive o prêmio Nobel de literatura de 1982.


De Juan Rulfo: Pedro Páramo e Planalto em Chamas. São os dois únicos livros que o autor escreveu, e desde então vastamente estudados nas universidades desde que foram publicados, nos anos 50 - tendo influenciado García Márquez e vários outros autores. Neste ano ganharam nova tradução em edição recente, sendo o Planalto rebatizado de Chão em Chamas.


De Manuel Scorza: Bom-dia para os Defuntos revela uma primorosa escrita do autor, e uma tragédia vivida pelo povo peruano nas mãos da Cerro de Pasco Corporation.


De Júlio Cortazar não li nada, infelizmente, mas já me recomendaram O Bestiário.


De Manuel Vargas Llosa: não sei se caberia chamar de realismo mágico, mas que se dane: Pantaleão e as Visitadoras brinca com os procedimentos e burocracias militares e é o livro mais divertido que já li.





segunda-feira, abril 16, 2007

Ainda sobre o "baixo"


...E enquanto o Gol Mil não vem, reproduzo aqui duas sugestões extraídas do texto de L.A. Simas:



1. Romário faz o milésimo gol, só que contra. Seria fantástico ver o baixinho meter seu gol 1000 no próprio Vasco, não?


2. Roma não faz o gol, nem daqui há um mês, nem nunca mais. Encerra sua carreira no 999, a "besta invertida".



Difícil saber qual é a melhor opção. Mas bom mesmo é ler o texto do Simas na íntegra, cujo sugestivo título é "Ei, Galvão, vai tomar no cu".

quinta-feira, abril 12, 2007

O carro do Romário

Ele é milionário e pode ter Audis, Astras, Pajeros, até mesmo Ferraris, Porsches e Lamborghinis. Mas existe um carro que o baixinho não consegue dirigir...














infame, não?

terça-feira, abril 10, 2007

Tupi or not tupi, that is the question

Caso um neófito em história brasileira republicana se proponha nela mergulhar, com o intuito de desvendar o período em que a questão da identidade nacional começa a ser abertamente estruturada por intelectuais, artistas e até mesmo autoridades governamentais do país, encontrará seguramente nas décadas de 1920 e 1930 a sua fase mais frutífera. Tendo a abolição da escravatura e a proclamação da República como processos recentemente deflagrados, o Brasil do início do século XX procurou, através do movimento modernista, estabelecer um novo tipo de diálogo com as informações irradiadas dos países centrais.


Nesta época, as influências externas que chegavam ao Brasil estavam relacionadas ao processo civilizador pelo qual nações como França e Inglaterra haviam recentemente atravessado em suas conjunturas internas. Uma vez visto como completo e terminado pelas sociedades européias em seu próprio seio (especialmente no e após o século XIX), o conceito de civilização se transforma em justificativa para a conquista e dominação de povos não-europeus, vistos como incivilizados e, portanto, inferiores, da mesma maneira como a aristocracia da corte se enxergava perante os outros estratos sociais que a rodeavam.


Se a civilização tinha a Europa como centro, o ingresso do Brasil nos tempos modernos, especialmente após o advento da República, implicava a imposição de um modelo de civilização que excluía a diversidade brasileira, pois que calcado na experiência européia. O endeusamento do modelo civilizatório, notadamente parisiense, crescia durante as primeiras décadas do século XX, em detrimento da mistura de tradições que caracterizava a sociedade brasileira.


Neste período, conhecido como a belle époque carioca, a postura da elite (especialmente no Rio de Janeiro, então capital da República) era a de negar qualquer manifestação da cultura popular, o que era feito através da expulsão dos pobres e portadores de heranças culturais tradicionais dos centros (o que ocorreu no Rio através das reformas do prefeito Pereira Passos no panorama urbanístico do centro da cidade, na década de 1910) e da tentativa de erradicação das religiões afro-brasileiras e do controle policial das festas carnavalescas.


Tal visão elitista, como fica claro, encontrava-se impregnada de valores construídos de fora para dentro, resultante de um grande torcicolo cultural que denunciava o papel central de países estrangeiros na constituição do caráter nacional do Brasil. Com efeito, o vírus do recalque só acharia um antídoto, ao menos no plano cultural, a partir da fruição intelectual ocorrida no movimento Modernista.


Não irei aqui me deter nas idiossincrasias do Modernismo, uma vez que tal esforço exigiria a redação de um novo artigo (o que provavelmente farei em outra oportunidade). O importante, neste momento, é frisar que os modernistas brazucas procuraram valorizar um olhar introspectivo em relação à sua própria cultura, sem que a proposta de um contato mais direto com as particularidades brasileiras fosse revestida de um caráter exótico e cerrado, cientes que estavam da necessidade de alinharem-se à marcha de modernidade e progresso, símbolos da civilização européia que aqui se fazia impor.


O ponto é que, desde então, a discussão entre o que é parte da “cultura brasileira” e o que seria “influência externa” tem alimentado discussões em salas de aula, pátios de faculdades, mesas de botequins. Enquanto Mário de Andrade, na década de 20, não via com bons olhos a proposta oswaldiana de absorver influências externas – cioso da possibilidade de descaracterização da nossa cultura – , o crítico José Ramos Tinhorão, quase 50 anos depois, chegava ao ponto de ver na Tropicália de Gil e Caetano um plano para impor a dominação cultural estadunidense (afinal, aqueles baianos estavam botando roquenrol na bossa-nova, que porra é essa?).


Pra não dizerem que estou exagerando, vejam o que o cara escreveu:


“Alinhados com o pensamento expresso por seu líder Caetano Veloso, “Nego-me a folclorizar meu subdesenvolvimento para compensar as dificuldades técnicas”, os tropicalistas renunciaram a qualquer tomada de posição político-ideológica de resistência e, partindo da realidade da dominação do rock americano (então enriquecido pela contribuição inglesa dos Beatles) e seu moderno instrumental, acabaram chegando à tese que repetia no plano cultural a do governo militar de 1964 no plano político-econômico. Ou seja, a tese de conquista da modernidade pelo simples alinhamento às características do modelo importador de pacotes tecnológicos prontos para serem montados no país” (Tinhorão, História social da música popular brasileira, p. 324-325).


Com o movimento Mangue não foi diferente. A peleja entre Chico Science e o escritor Ariano Suassuna, Secretário de Cultura de Pernambuco entre 1995 e 1998 (durante o governo de Miguel Arraes), resultou em frases como esta, dita por Suassuna a Chico:


“Você está servindo de ponta-de-lança para os piores inimigos do Brasil, aqueles que tentam descaracterizar a nossa cultura. Mude o nome de Chico Science para Chico Ciência que eu subo no palco do seu lado”.


Ou seja, existe um claro embate cultural travado há quase cem anos no Brasil (e também alhures) entre os que assumem uma postura “purista”, de defesa da legitimidade da cultura brasileira, e os que promovem a livre imbricação entre as culturas.



Pessoalmente, considero os dois lados discutíveis, pois se há algo de nocivo na irrefletida absorção de elementos culturais externos, por outro lado acho um tanto complicado recorrer a uma suposta “legitimidade” cultural tupiniquim – e assim como Alfredo Bosi, me recuso a ver a “cultura brasileira” assim, no singular, preferindo pensar em “culturas populares” de forma plural.



segunda-feira, abril 09, 2007

Churrasco na Floresta da Tijuca

Difícil, para realizar um programa como esse, é acordar cedo num dia de sábado. Superado este obstáculo, porém, a recompensa é imensurável: clima aconchegante, cerveja gelada, múltiplas carnes na brasa e a agradável companhia de amigos, bebês, borboletas, micos e guaxinins. Só faltou levar o violão.





A companhia de amigos: da esquerda pra direita, uma menina de lacinho rosa, Ligita, Cris, Cissa carregando o pequeno Otto, Paulinho, Lelo, Nanda, Dig e Guto. Vale dizer que metade desse pessoal nós encontramos na Floresta por acaso! Coisas da vida.





Nas lentes, este que vos escreve. E pilotando a churrasqueira, adivinhem – ela mesmo, minha bonita! É que, como bem frisou a Ligita, alguém tem que fazer o papel de homem nessa galera!







E na foto abaixo vocês podem ver o Otto, o bebê mais zen dessa Cidade Maravilhosa, tomando um chifrinho do sempre zoador Diogo Lyra, aquele que não poupa nem homem, nem mulher, nem ao menos velhinhos e sequer bebês!


quinta-feira, abril 05, 2007

O novo e o velho


"Não tenho ilusões de ser compreendido pelos jovens, porque é impossível instaurar uma relação de caráter cultural com eles, já que vivem novos valores com os quais os velhos valores - em nome dos quais eu falo - são incomensuráveis."



Pasolini