Antes que eu comece a destilar os motivos da minha frustração, é necessário contextualizar o incauto leitor: o curso de
Produção Cultural da
Universidade Federal Fluminense não passa dos 12 anos de existência, e recebe, semestralmente, algo em torno de 30 ou 40 calouros. Quando eu entrei na Universidade, no segundo semestre de 1998, o curso recebia 20 inscritos por semestre, e devia ter, no total, cerca de 100 alunos. Mesmo com o grande crescimento auferido no passar de uma década, julgo ainda tratar-se de uma chopada de dimensões até certo ponto humildes, principalmente se comparada com as mega-produções (hoje terceirizadas) das chopadas de cursos como Engenharia e Medicina.
Talvez para os calouros e muitos veteranos que compareceram a este evento, a chopada tenha sido divertida. Pra mim, veterano de tempo imemoriais, foi uma merda. De longe, a pior de todas as chopadas da ProCult que já fui. E vamos aos porquês.
1. A música: estava muito, mas muito ruim. Aquele dance/house de academia, sabe? Pra você ter uma idéia, os melhores momentos sonoros foram flashbacks dos anos 90, tipo
Depech Mode,
EMF,
Deee Lite e coisas do gênero. Imagina só: "Enjoy the silence" sendo o melhor momento de uma festa jovem de 2007! Lembro quando as chopadas tinham Bob Pai e Tchello nas carrapetas, com muita música brasileira e diversidade sonora. Até som ao vivo já teve, jam sessions com calouros subindo pra cantar e tudo! O som dessa edição foi lamentável, e pelo visto o mais contente com o som era o próprio DJ, que dançava tal qual um Go-Go Boy em happy hour no Centro.

2. A cerveja: embora gelada, era liberada em doses homeopáticas. Ocorria basicamente assim: você se acotovela entre os corpos suados de várias pessoas, enche um copo com cerveja, sai e bebe. Quando volta pro refil, só tem
gummy (pra quem não conhece, uma bebida feita da infeliz mistura de cachaça com sucos em pó no estilo
Ki-suco – pra quem é desse tempo – ou
Fresh). Aí você espera uns dez, quinze minutos, e volta a sofrer por mais um copo. Ou seja: pra quem não curte as tais bebidas coloridas tiradas de grandes garrafas pet, a média de dosagem alcoólica era de quatro a cinco copos de plástico de cerveja por hora. Triste pros mais afoitos como eu, que costumam entornar de quatro a cinco vezes essa quantidade no mesmo espaço de tempo.
3. Os jovens: este ponto até passaria despercebido, não fosse a completa ausência de veteranos no local. Houve exceções, é claro, dentre elas saudosos amigos de curso e esquadrilha como
Johnny,
Raphael,
Luisinho e o trio de meninas superpoderosas
Gi,
Isa e
Ju (sem dúvida, os melhores partidos da festa). Todavia, a grande maioria resolveu (sabiamente, reconheço agora) não dar a cara à tapa na chopada. Até porque, sem o apoio de outras lendas históricas, veteranos jurássicos como eu ficam se sentido, como diria o amigo
Edu, verdadeiras múmias embalsamadas perto da garotada que era, no mínimo, três copas do mundo mais nova. Pra se ter uma idéia, a certa altura ouvi um jovem mancebo mandar a seguinte pérola dentro do banheiro:
- Peitooooo! Hoje eu quero tocar num peitoooo!!!
Realmente, essa foi a cereja do bolo. Senti-me numa
high school americana, só que sem os atiradores revoltados.
4. Os seguranças: os dois ogros postados no umbral da porta de entrada (uso o adjetivo "ogro" pela atitude de brutos, e não pelo tamanho, já que nem eram tão grandes assim) disseram ter sido contratados pela galera organizadora da chopada, que deve ter entrado no curso lá pros idos de 2004, 2005. E como explicar pra esse povo que eu era de 2/98, formado em 2/2002, se eles nunca me viram? Mencionei o nome de professores e funcionários, quase tive que contar historinhas do meu tempo de faculdade, pra finalmente entrar, e ainda ouvindo a seguinte gracinha de um dos brutos: "assim é muito fácil, né?". E pior: como o cigarrinho da confraternização estava terminantemente proibido dentro do local, tinha um pessoal veterano que entrava e saía do estabelecimento - até por uma questão de respeito, se é que vocês me entendem. E os ogros barrando a galera na porta! Diziam pra mim: "ah, tu não vai sair de novo não, tu já entrou e saiu umas cinco vezes!" Ou seja: o cara me reconhecia, sabia que eu era veterano, sabia que veterano entra de graça a qualquer hora, e ainda assim queria impedir meu direito (e o de outros), legalmente constituído pela própria comissão organizadora, de ir e vir.

Enfim, quero deixar claro que não estou culpando a organização do evento - aliás, minha intenção não é, nem de longe, apontar culpados por isso ou aquilo. Só estou usando do meu direito de emitir opinião, desde já antevendo as críticas daqueles que nem conheço. O caso da mochila do camarada só vem piorar as coisas. De maneira que, se nas futuras edições da festa não houver uma adesão em massa da galera da lista da ex-procult, temo ter encerrado (de maneira pífia, infelizmente) minha participação em um evento que já não tem nada a ver comigo e com aqueles que frequentaram o curso de produção cultural e (aqui fico meio melodramático e saudosista, se me permitem) vislumbravam contribuir para a produção de eventos e produtos culturais de qualidade e em consonância com a cultura brasileira, e não fazer do principal evento de socialização e recepção dos novos alunos do curso uma grande festa
gummy, com bebida
gummy, seguranças
gummy e música
gummy.