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Além dos amigos do Arthur com um outro amigo em comum, quem mais costuma ouvir falar da Comissão de Valores Mobiliários? Virtualmente ninguém, e a razão é simples: trata-se de uma autarquia com atuação discreta, e cujas funções, em condições normais de temperatura e pressão econômica, são de pouco interesse para o noticiário, ávido de factóides. Há pouco mais de dez dias a CVM tem se tornado vedete, se não do noticiário em geral, no mínimo dos cadernos voltados para economia; pequena pausa para uma olhadinha na página de economia mundial. Olha vejam só, não é que a União Européia está neste mesmo jornal, e por motivos ‘estruturalmente’ semelhantes ao do caso anterior? Chega de bobagem, aos fatos.
A CVM ronda as colunas de Miriam Leitão (putz!) e seus pares por ter encontrado uma saída clássica pra desviar a atenção de eventuais problemas internos: apontar erros externos. Se um certo governo prepotente de uma certa nação imperialista da América do Norte pode arrasar uma nação com este intuito, é razoavelmente tranqüilo que uma repartição pública atrapalhe negociatas escusas pra que esfriem rumores quanto à sua administração. De mais a mais, esta é sua função. Dando nome aos bois (ou crocodilos), as autoridades públicas responsáveis por controlar minimamente o mercado de capitais quiseram um pouco mais de explicações para os movimentos, mais do que atípicos, percebidos na movimentação de compra e venda de ações – da Ipiranga primeiro, e agora da Varig. Um cheiro de maracutaia foi sentido no ar depois que valorizações ‘sospechosas’ precederam dias de decisões cruciais na organização dessas empresas.
E a União Européia nessa? Bem, assisti ontem a indignação dos auditores do Velho Mundo com o padrão de comportamento da Apple em seu continente. Concluíram que as práticas comerciais da empresa de informática, no que se refere à negociação de músicas no espaço virtual, agrediam frontalmente as regras da harmoniosa concorrência; tucanaram o monopólio com o nome de cartel. Os astutos executivos da maçã digital elaboraram um eficiente esquema para evitar que portadores de dinheiro mais valioso conseguissem comprar o mesmo produto mais barato em outras paragens.Há algo em comum nos dois casos? Muito. Em qualquer um dos dois, percebe-se claramente onde vai parar o ‘livre funcionamento das forças de mercado’: monopólio, predação, concentração. A falácia do laissez-faire como promotor preferencial dos interesses sociais cai por terra quando se dá uma olhadela em como funciona realmente o capitalismo contemporâneo. Deixado a sua própria sorte, o que o mercado promove é a aniquilação dos interesses gerais em nome do mais forte. Nada mais condizente com a lógica do salve-se quem puder em ambiente de competição.
Qual foi a resposta? A mesma que deram Bismarck na Alemanha, Napoleão III na França, Vargas no Brasil, e os EUA ao longo de toda sua história a partir do final do século XVIII: sem participação ativa do Estado, a economia leva ao fortalecimento gradual do mais forte, rumo ao colapso.
É por isso que não tenho dúvida – liberalismo no dos outros é refresco.
El Cascarravias












































