

Eu ao lado de Roger Waters, no longínquo verão de 1973
Em poucos segundos, a sensação de segurança se transfigurou em completo medo quando Lyra sentiu o frio cano da arma lhe cutucar as costelas. Atrás da pistola, uma voz lhe ordenou em alto e bom som:
Uma música, entretanto, chamou-me a atenção por não ter tido a letra escrita por Zack. Isto porque a tal canção, de título Hadda Been Playing On The Jukebox, é na verdade a declamação de um poema homônimo do beatnick Allen Ginsberg, escrito em 1975.
O carioquíssimo maestro Tom Jobim, recostado em uma nuvem estacionada sobre o Rio de Janeiro, se abana alucinadamente e grasna:
Era o primeiro filme pornô que assistia na vida. De lá pra cá, vários outros se seguiram e, durante as décadas que se passaram, muita coisa mudou no universo daquilo que carinhosamente chamávamos de “filmes de sacanagem”.
Já Linda, de Deep Throat, descobre que não atinge o orgasmo porque tem o clitóris na garganta, o que leva a moça a enveredar pelo que os antropólogos costumam chamar de "cultura oral". É claro que ambas são histórias inverossímeis, diria até viajantes, mas servem de pretexto pra toda a putaria que daí se segue.

Tá bom, eu sei que a língua é uma coisa viva, em constante metamorfose. Sou um grande simpatizante de neologismos. Tampouco sou um xiita da língua, daqueles estilo MV Brasil que querem que e-mail seja sempre chamado de correio eletrônico – coisa que nunca faço, porque dá muito mais trabalho de falar.














Nos idos de 1974, Chico Buarque enfrentava sérios problemas com os censores do regime militar que, depois de terem sido feito de idiotas pela malandragem dos versos do compositor, passaram a proibir qualquer música que levasse a sua assinatura. O sagaz Chico saiu-se com essa: além de lançar o disco Sinal Fechado, de título auto-explicativo e contendo apenas canções de outras pessoas, criou um pseudônimo para si próprio – Julinho da Adelaide, que assinou três músicas, dentre elas “Acorda Amor”, gravada neste disco (Chame o ladrão, chame o ladrão!). A irreverência foi tanta que Julinho chegou a dar uma entrevista ao escritor Mário Prata, para o jornal Última Hora, que você lê aqui.

Jorge Ben
, por sua vez, apareceu em 74 com o mágico A Tábua de Esmeralda, disco inspirado na obra do alquimista Hermes Trimegistos – como se vê nas músicas “Os Alquimistas Estão Chegando”, “Errare Humanun Est” e “Hermes Trimegistos e Sua Celeste Tábua de Esmeralda”. No blog Bolachas Grátis há uma bela resenha sobre o disco; aqui, além de “Brother” e “Zumbi”, belos odes à cultura afro-americana do norte e do sul, destaco a canção “O Homem da Gravata Florida”, que narra os fantásticos poderes de uma gravata que “é um jardim suspenso dependurado no pescoço de um homem simpático e feliz” (a letra, na íntegra, você confere aqui).
Sobre Gilberto Gil ao vivo, também de 1974, basta dizer que é, sem dúvida, seu disco mais lisérgico. Não cabe acrescentar qualquer comentário aos sagazes apontamentos do camarada Diogo Lyra, postados no seu Fundo de Quintal Literário, que você lê aqui.

E, finalmente, enquanto Chico militava na política, Jorge se inspirava na alquimia e o nosso atual Ministro da Cultura viajava na psicodelia, Tim Maia mergulhava fundo na Cultura Racional. Contam os passarinhos verdes que, após gravar dois discos inteiros em 1974, Tim se converteu à seita de Manuel Jacinto Coelho (uma espécie de Edir Macedo da ufologia, segundo dizem) e reescreveu todas as letras, lançando nos anos seguintes os discos Tim Maia Racional, volumes 1 e 2. Quem conhece sabe que os versos são pura lavagem cerebral, beirando o risível, mas a qualidade sonora e o suingue de sua banda são incontestáveis. Sobre como Tim Maia pirou com o livro Universo em Desencanto, você lê aqui.

Caso 2: Jim Morrison
Vocalista do The Doors, já nos primeiros ensaios da banda bebia doses industriais de uísque misturado a comprimidos para se descontrair. Durante a carreira – não pensem em besteiras! – o Rei Lagarto passou a gostar tanto de LSD que, ao contrário dos outros integrantes da banda, engolia imediatamente qualquer ácido que ganhasse de seus fãs na rua. Morreu em Paris no verão de 1971, dentro de sua banheira, provavelmente por overdose de heroína.



Durante os dias de festa – excetuando-se aqueles blocos em que os foliões são agraciados com jatos d’água em quantidade industrial – levei minha digi-cam para clicar os momentos mais cool das baladas. Enchi, propositalmente, esta última frase de expressões bestas pra levantar o ponto em questão: assim como eu, centenas de foliões empunharam seus aparatos eletrônicos – gravadores, mp3 players, celulares e câmeras – para digitalizar a bagunça. Em meio a tantos cliques, não foi difícil ouvir reclamações de pessoas que sentiam ter a privacidade vilipendiada pelos paparazzi que hoje se multiplicam na multidão festeira, especialmente naqueles blocos onde o consumo de substâncias ilícitas é via de regra.
O texto sobre boicote que postei aqui provocou um número recorde de intervenções, o que tornou impossível a tarefa de responder a todos. É claro que fiquei satisfeito em ver tantas opiniões divergentes, gente que nunca vi que concorda comigo, gente que conheço há mais de dez anos e que discorda de tudo. "Toda unanimidade é burra", diria Nelson Rodrigues, ou "viva a diversidade", como bradou minha amiga Lelê. De fato, o número de comentários só não foi maior porque alguns sagazes, captando o espírito da coisa, resolveram boicotar o próprio texto.
Minha opinião, na verdade, discute o resultado prático dos boicotes, que pra mim é muito baixo. Nisso concordo com o amigo Athos, quando este diz que dificilmente o palhaço Ronald perde o sorriso quando ele ou minha bonita deixam de consumir o delicioso Cheddar – até porque provavelmente o Pakkato deve ingerir, sozinho, a cota dos três juntos.
Eu, por minha vez, não tenho a iniciativa, a força, sequer a coragem de levar pra frente qualquer tipo de boicote, mesmo depois de ter assistido filmes como The Corporation – que, aliás, deve ser visto por todos os seres humanos que têm a vida afetada pela atuação das corporações multinacionais (será que alguém se inclui fora dessa lista?).