quinta-feira, julho 16, 2009

prêmio e show




CB Bar em São Paulo: 400 pessoas. Teatro Odisséia, no Rio: 500 pessoas. Foi para estes públicos que a banda de rock/metal carioca Fantasmagore, "um quarteto instrumental atordoante" - nas palavras do jornalista do Globo Online Rodrigo Pinto - tocou no fim de semana passado. Em São Paulo, a banda participou do Festival Produto Instrumental Brasileiro, concorrendo com a cuiabana Macaco Bong e a paulista Elma, e saiu com o prêmio de melhor banda da noite "terrestre" - assim batizada por contar com as bandas mais "pesadas" e "primitivas" do festival. Com isso, a banda garantiu lugar na próxima edição do evento, na qual fará o show de encerramento de uma das noites.

(leia mais no site oficial do festival: www.festivalpib.com.br)




De volta ao Rio, Fantasmagore tocou no evento Flash Rock, em comemoração ao Dia Mundial do Rock, que também apresentou as bandas Cachorro Grande (com um show do lado de fora do Odisséia), Macaco Bong e Moptop. O Teatro Odisséia lotou como se fosse dia de samba, mostrando que o Rio ainda tem, sim, vocação para o rock'n'roll.



Na próxima segunda-feira, dia 20 de julho, entre 18h e 20h, o Fantasmagore dá entrevista no programa Grutaria (http://www.radiogruta.com). Na terça, tem matéria no Megazine, do jornal O Globo, sobre bandas instrumentais. E na quinta, dia 23, a banda toca na final do festival Beba do Rock, no Espaço Marun, no Catete.



Mais informações em www.myspace.com/fantasmagoreweb

quarta-feira, julho 08, 2009

Rock instrumental brasileiro

O que um acorde tem pra dizer? Qual a mensagem que existe por trás de um riff de guitarra? Se já é clichê dizer que a música é uma linguagem universal, não deveria causar espanto saber que “o rock feito sem letras e vocais já possui uma boa aceitação entre uma nova geração de ouvintes”.


A frase acima, publicada pelo repórter Humberto Finatti na edição de junho de 2009 da revista Rolling Stone, reflete a resposta que o quarteto de rock instrumental Fantasmagore tem tido desde que começou a tocar nos palcos cariocas. O clima roquenrol dos anos 60/70 e a pegada metal dos anos 80 estão presentes nas composições do primeiro EP, a ser lançado pelo selo Bolacha Discos. Há também espaço para ambiências e texturas que remetem ao universo fantasmagórico dos antigos filmes de animação, que serviram como inspiração para o nome da banda.


Sem isolar-se em nichos e guetos, conforme a visão que se tinha até pouco tempo sobre a música instrumental, o Fantasmagore toca no Rio neste fim de semana ao lado de Moptop, Cachorro Grande e da também instrumental Macaco Bong, em comemoração ao Dia Mundial do Rock. Antes disso, a banda divide palco com os cariocas do Sayowa em evento da Rede Rio Música, e de lá seguem direto para São Paulo, na condição de única banda do Rio de Janeiro selecionada para o Festival Produto Instrumental Brasileiro (PIB). Aliás, a própria existência de um festival de quatro dias que dá, segundo matéria publicada hoje no Estado de São Paulo, “uma panorâmica na crescente tendência nacional”, mostra que o rock instrumental tem cada vez mais voz ativa na cena brasileira.


Próximos shows:


Quinta, 9 de julho, 20h
Rede Rio Música apresenta:
Fantasmagore e Sayowa
Espaço Cultural Sérgio Porto – RJ
www.rederiomusica.blogspot.com


Sexta, 10 de julho, 21h
Festival PIB - Produto Instrumental Bruto:
Fantasmagore, Macaco Bong, Elma e Mama GumboCB Bar – SP
www.festivalpib.com.br
link da matéria de hoje no Estadão: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090708/not_imp399510,0.php


Domingo, 12 de julho, 21h
Converse apresenta Flash Rock: Dia Mundial do Rock
Fantasmagore, Macaco Bong, Cachorro Grande e Moptop
Teatro Odisséia – RJ
http://teatroodisseia.blogspot.com
www.comemoreorock.com.br


myspace: http://www.myspace.com/fantasmagoreweb
youtube: http://www.youtube.com/watch?v=f_2cc3R2ppI
email: fantasmagoreweb@hotmail.com

sexta-feira, junho 19, 2009

sexta-feira, junho 05, 2009

Eu Quero Rock!


Fantasmagore e Unidade Imaginária, duas bandas que participam da Rede Rio Música, tocam segunda na Melt.


Vai lá!


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sexta-feira, março 06, 2009

Fantasmagore no PIB

A banda Fantasmagore foi selecionada para o festival Produto Instrumental Bruto, que acontecerá na cidade de São Paulo em maio de 2009. As datas e locais exatos do festival ainda não foram divulgadas.

O PIB é um festival que tem como objetivo a divulgação de alguns dos muitos projetos interessantes que vem sendo produzidos na atual música instrumental brasileira, considerando principalmente a diversidade de estilos musicais. O festival conta com certificação da Lei do ICMS do PAC - Programa de Ação Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, que visa promover a cultura da música instrumental contemporânea e inovadora em toda a sua diversidade de estilos musicais.

De um total de cerca de 120 inscritos, a curadoria do festival selecionou 12 bandas, que foram divididas em 4 dias, cada um representando um elemento natureza: Terra, Água, Ar, Fogo. Segundo a coordenadora do projeto, Inti Queiroz, isto nasceu de uma necessidade de não classificar os dias de show do festival por estilo musical. Além das 12 bandas, se apresentarão também três bandas que participaram da edição passada.

A notícia foi recebida com muita empolgação pela banda, única selecionada do estado do Rio de Janeiro. Confira, abaixo, a programação completa do Festival:


DIA 1 - AÉREOS
Aerotrio (Campina Grande - PB)
El Toro Trio (São Paulo - SP)
Malditas Ovelhas! (São Carlos -SP)
Banda madrinha: LABIRINTO (São Paulo - SP) – classificada em 2007


DIA 2 - AQUÁTICOS
Retrofoguetes (Salvador - BA)
Reverba Trio (Porto Alegre - RS)
The Violentures (Campinas - SP)
Banda madrinha: GASOLINES (São Paulo - SP) – classificada em 2007


DIA 3 – TERRESTRES
Elma (São Paulo - SP)
Fantasmagore (Rio de Janeiro - RJ)
Macaco Bong (Cuiabá - MT)
Banda madrinha: MAMA GUMBO (São Paulo - SP) – classificada em 2007


DIA 4 – ÍGNEOS
Chimpanzé Clube Trio (São Paulo - SP)
Grooverdose (São Paulo - SP)
SaunoFlex (São Paulo – SP)
Banda madrinha selecionada: INTRAVENAL GROOVE S/A (Campinas - SP)

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

terça-feira, fevereiro 03, 2009

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Fantasmagore - Russian Roulette

Em 1908, o cartunista francês Émile Cohl experimentou colocar desenhos seus em uma placa iluminada de vidro, tracejando o próximo desenho da sequência sobre ele até que obtivesse cerca de 700 desenhos. O resultado é considerado o primeiro filme da história totalmente feito com animação, que foi chamado pelo autor de "Fantasmagorie".


Cem anos depois, o mesmo nome (sem o "i") seria usado para batizar um grupo de rock instrumental, formado no Rio de Janeiro por quatro músicos de diferentes estados do Brasil. E a proposta da banda Fantasmagore é justamente apresentar ao público estes dois elementos: música e filmes finos.


Vejam um video de animação com duas músicas de Fantasmagore, aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=f_2cc3R2ppI



Vejam "Fantasmagorie", de Émile Cohl, aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=aEAObel8yIE&feature=related

quarta-feira, novembro 05, 2008

Aqui não, no Sambapunk talvez

É, amigos, isso aqui anda abandonado mesmo... culpa da vida frenética de cidade grande. Quando posso, tenho escrito sobre música no site http://www.sambapunk.com.br/ , do jornalista Adilson Pereira (que foi editor-chefe da revista Outra Coisa).

Pra quem tiver interesse, seguem os links das matérias que fiz até agora:




Sobre a banda Little Joy, do ex-hermano Amarante e do batera do Strokes, Fabrizio Moretti





Sobre o show da Dave Matthews Band no Rio de Janeiro





Sobre o Libra, novo lançamento nacional da Sony-BMG






É isso.



sexta-feira, setembro 12, 2008

Este blog apóia Evo Morales

Após mais de um mês em silêncio, resolvi quebrar o gelo para dar um toque àqueles que vez por outra passam por aqui: desconfiem de tudo que for dito na mídia oficial sobre a atual e complexa situação boliviana. Para saber o que realmente está acontecendo, procurem meios de informação alternativos, não comprometidos com os interesses elitistas. Lembrem-se do exemplo dos recentes conflitos da Venezuela, cujas notícias que chegavam aqui e alhures eram distorcidas pelos principais meios de comunicação, dominados por grupos de direita empenhados no afastamento de Chavez. Quem não sabe ou não acredita no que estou falando ficará chocado ao assistir "A Revolução não será televisionada" (procurem na internê).


Abaixo, um pequeno texto escrito por Jacob David Blinder para o lutabolivariana@grupos.com.br :


O embaixador estadunidense foi expulso da Bolívia e o embaixador da Bolívia nos Estados Unidos foi chamado pelo Presidente Evo Morales a voltar imediatamente ao país. Paramilitares de direita atacam mercado em Tajita e encontram resistência de camponeses, os mesmo paramilitares atacam gasoduto e bloqueiam parcialmente a remessa de gás para o Brasil. Camponeses pró-Evo Morales bloqueiam as estradas para Santa Cruz e deixam essa província isolada. Forças direitistas incendeiam emissora de TV governista de Santa Cruz...O golpe está em marcha e também uma provável guerra civil como conseqüência ao fato. Se essa ocorrer, haverá a intervenção de outros paises e o conflito se disseminará. E alguns ainda defendem a tese que na Bolívia os Estados Unidos nada tem a ver com isso. É lamentável a posição dessas pessoas! É preciso que todos os brasileiros apóiem a democracia na Bolívia e seu líder legítimo o Sr. Evo Morales Ayma. A vitória desse governante no conflito representará a vitória de todos aqueles que querem uma nova América Latina mais justa e democrática.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Menos um jovem no Brasil

Na última terça-feira, 5 de agosto, alcancei a marca dos trinta anos de vida. Seguindo um dos clichês mais repetidos da humanidade, com a idade vêm as responsabilidades. A enxurrada de tarefas e compromissos, tanto no trabalho quanto no doutorado, estão comprometendo o tempo do qual dispunha para gerenciar este espaço virtual e visitar as páginas dos amigos.


Como adoro escrever, sempre que puder atualizarei o blog, mesmo que sem a freqüência que gostaria. Da mesma forma, dentro das possibilidades, irei fuçar os blogs daqueles cujos textos admiro e nos quais procuro alguma inspiração. E no mais, bola pra frente e força na peruca porque, se a vida é heavy metal, eu sou extreme-death-thrash-grindcore.

terça-feira, julho 22, 2008

Qual deles tem condições de te salvar?

Seis candidatos, um só caminho. Qual deles terá a chave para a sua salvação?



























sexta-feira, junho 27, 2008

A inVEJA é uma merda


Vez por outra recebo algum e-mail (desses que circulam amplamente pela internet) que me identifico a ponto de querer reproduzi-lo aqui. No presente caso, trata-se de um texto atribuído a um aluno da Universidade Federal de Pernambuco. O título da minha postagem é uma paródia da famosa frase do pessoal do Casseta e Planeta (na época em que ainda tinham graça), e expressa bem minha opinião em relação ao nojo de revista que é a VEJA.


Sem mais delongas, portanto, vamos ao texto.





A VEJA E O MEU PAI
*Por Roberto Efrem Filho*


Hoje, dia 10 de junho do ano de 2008, foi o dia em que meu pai cancelou a renovação da Revista Veja. É bem verdade que há fatos históricos um tanto quanto mais importantes e você deve estar se perguntando "o que cargas d'água eu tenho a ver com isso?". Não é nenhuma tomada de Constantinopla, queda da Bastilha ou vitória da Baia dos Porcos. É um ato de pequenas dimensões objetivas, realizado no espaço particular de uma família de classe média brasileira, sem relevantes conseqüências materiais para as finanças da Editora Abril, sem repercussões no latifúndio midiático nacional. A função deste texto, portanto, é a de provar que meu pai é um herói.


A Revista VEJA se diz assim: "indispensável ao país que queremos ser". Começa e termina com propagandas cujo público alvo é a classe média e, nela, claro, meu pai. Banco Bradesco, Hyundai, H. Stern. Pajero, Banco Real, Mizuno. Peugeot, Aracruz, Nokia. Por certo, a classe média – inclusive meu pai – dificilmente terá acesso à grande parte dos bens expostos na vitrine de papel. Não importa. Mais do que o produto, a VEJA vende o anseio por seu consumo. Melhor: credita em seu público-alvo, a despeito de quaisquer probabilidades, a idéia de que ele, um dia, chegará lá.


Logo no comecinho, na terceira e quarta folhas, estão as páginas amarelas da Revista. Nelas, acham-se as entrevistas com personalidades tidas como renomadas e com muito a dizer ao país. Esta semana a VEJA apresenta as opiniões de Patrick Michaels (?), climatologista norte-americano que afirma a inexistência de motivos para temores com o aquecimento global. Na semana passada, deu-se voz ao "jovem herói" Yon Goicoechea (?), um "líder" estudantil venezuelano oposicionista de Chávez e defensor da tese de que a ideologia deve ser afastada para que a liberdade seja conquistada contra o regime "ditatorial" chavista.


Não. Não é que a VEJA não conheça o aumento dos níveis dos mares, dos números de casos de câncer de pele, do desmatamento da Amazônia, da escassez da água e dos recursos naturais como um todo e de suas conseqüências na produção mundial de alimentos. Sim, ela conhece. Não. Não é que ela não saiba que um estudante não representa sozinho o posicionamento democrático de uma nação e que um governo legitimamente eleito não pode ser chamado de totalitário. Sim, ela sabe. Do mesmo modo que conhece e sabe da existência de diferentes opiniões (ideológicas, como tudo) sobre ambosos assuntos e não as manifesta. Acontece que isso ela também vende: o silêncio sobre o que não é lucrativo pronunciar.


Do meio pro final da Revista estão os casos de corrupção. Esta é a parte do "que vergonha, meu filho, quando isso vai parar?" dito pelo meu pai, com decepção na voz. A VEJA desenvolve um movimento interessante de despolitização nesse debate. Ela veste o figurino do combatente primeiro da corrupção, aquele sujeito que desvendará as artimanhas, denunciará os ladrões e revelará "a" verdade, única, inabalável. Com isso, a VEJA confere centralidade à corrupção no debate político, transformando a política em caso de polícia e escondendo o fato de que o seu próprio exercício policialesco é inerentemente político.


No fim, "todo político é ladrão" – menos os do PSDB, claro, todos "intelectuais" -, "política não presta", o que presta mesmo é a Revista VEJA. A Revista é ainda permeada por textos de cronistas e colunistas. Estão, entre seus autores, Cláudio de Moura Castro, Lia Luft e Roberto Pompeu de Toledo. Todos dignos do título de "cidadão de bem", conscientes e responsáveis. Evidentemente, todos de posicionamentos um tanto moralistas e um tanto conservadores. Difere-se deles Diogo Mainardi. Este, conhecido por chamar o Presidente da República de "minha anta" e por sua irreverência desrespeitosa e direitista, escancara a alma da VEJA. Mas não se engane. Não é Mainardi o perigo. São os outros.


Foram eles que meu pai um dia leu com respeito e é aquela auto-imagem que a VEJA quer – como tudo – vender. Sem dúvida a Revista VEJA é ainda mais que isso. Suas estratégias de persuasão vão muito além dos limites deste breve texto. Afinal, é ela a revista mais lida no país, parte significativa de um império da concentração do poder de informar. Seja nas suas "frases da semana", nas quais há de costume as fotografias de uma mulher bonita dizendo bobagem e de um homem-autoridade falando coisa inteligente e importante, seja no fetiche da citação "eu li na VEJA", faz-se ela um dos mais eficazes instrumentos de convencimento a favor da classe dominante.


Meu pai, por sua vez, é um trabalhador. Casado com Fátima, minha mãe, e pai também de Rafael, criou seus filhos com princípios que ele preserva como inalienáveis. Já votou no PT. Já votou no PSDB e mesmo no PFL ("porque foi o jeito, meu filho!"). Opõe-se a qualquer tipo de ditadura (conceito no qual incluía até pouco tempo o governo de Chávez: coisas da VEJA). Já se disse socialista, na juventude. É praticante da doutrina espírita desde menino. Discorda de mim em milhares de coisas. Concorda noutras. É um bom e sonhador homem com quem eu quero sempre parecer.


Hoje, ele cancelou a renovação da Revista VEJA, aquilo que para ele já foi seu meio de conhecimento do mundo, depois de chamar de "idiota" a entrevista daquele herói das páginas amarelas sobre o qual falei acima. Antes, havia criticado fortemente um artigo de Reinaldo Azevedo publicado na Revista, em que Azevedo falava atrocidades sobre Paulo Freire: "meu filho, veja que besteira esse homem está dizendo sobre Paulo Freire". Hoje, ele operou uma mudança nesta realidade tão acostumada à perpetuação do estabelecido. Hoje, para o mundo, como em todos os dias da minha vida para mim, meu pai é um herói.




*Roberto Efrem Filho é mestrando em direito pela UFPE e filho de "Roberto Efrem", a quem dedica este artigo

quarta-feira, junho 18, 2008

Sobre a Contenção

Sexta passada, na defesa da tese de doutorado de um velho amigo cientista político, aprendi que a palavra "contenção" dá nome a uma teoria do diplomata americano George Kennan, morto em 2005. A "teoria da contenção" de Kennan representa a tentativa estadunidense de conter, durante a guerra fria, a "ameaça comunista" que colocava em xeque a liberdade tão arduamente conquistada e defendida pelos americanos do norte (percebem o riso irônico enquanto digito esta frase?).


Para o tráfico de drogas presente no Rio de Janeiro e alhures, contenção é o posto de quem, empunhando uma arma, tem por obrigação deter ou dificultar ao máximo a chegada dos policiais à boca - o que é feito mediante o poder de fogo, "trocando com os hômi". No livro Cabeça de Porco, Celso Athayde e MV Bill mostram como o tráfico carioca já exporta know-how para outras regiões do Brasil, que começam a organizar a atividade criminosa valendo-se do bonde da contenção e dos olheiros (que avisam a chegada da polícia através do uso de pipas e morteiros).


Mas o melhor uso da palavra contenção é o feito por Yani de Simone, a dançarina do cantor de funk Mr. Catra. Contenção não é só mais uma funkeira que rebola, como as mulheres fruta que estampam as capas dos tablóides fluminenses. Ela tem um diferencial. Ela pisca. E vocês podem conferir a Contenção piscando aqui, em estúdio, e aqui, ao vivo.

quinta-feira, maio 29, 2008

Menu Musical


Prato do dia (#4): The Raconteurs



No segmento musical, vez por outra surgem bandas paralelas com qualidade à altura dos trabalhos principais de seus músicos. É o caso do Mr. Bungle e do Fantomas, projetos do alucinado Mike Patton, vocalista da saudosa banda Faith No More.


O caso de The Raconteurs é ainda mais raro: a banda supera, em muito, a banda original do vocalista e guitarrista Jack White. Também pudera: por melhor que seja a capacidade de White de criar excelentes riffs de rock, fica difícil sustentar uma banda de rock com uma baterista descoordenada (caso de Meg White) e sem baixo! Estou falando, claro, do White Stripes – que apesar de ser uma banda meia bomba, possui músicas irresistíveis como Seven nation army e The hardest button to button.


Com o The Raconteurs, porém, isso não acontece. Há guitarras, baixo, bateria e teclados, criando um som rock n’roll bem na linha setentista de bandas como The Who, Doors, Beatles e Led Zeppelin. O Led, aliás, é a referência mais gritante, perpassando as diversas faixas do primeiro álbum da banda, Broken Boy Soldiers, um disco primoroso do início ao fim, que começa com a levada cadenciada de Steady as she goes (que lembra de leve os contrapontos que ouvimos num rock brazuca estilo Los Hermanos) e terminando com Blue veins, um blues arrastado daqueles no estilo Since I’ve been loving you.


O segundo disco, Consolers of the Lonely, lançado recentemente, prova que não se trata de uma banda de um disco só. Também é excelente do início ao fim, e já começa com mudanças bruscas de tempo (coisa que adoro) nos primeiros trinta segundos da música homônima.


Os destaques da banda vão para as músicas Broken boy soldiers e Level (confira aqui), do primeiro disco, e The Switch and the Spur, do segundo. Ouçam e vejam se não tenho razão ao desejar que Jack White desista do White Stripes pra dedicar-se exclusivamente ao The Raconteurs... quem sabe assim rola uma chance dos caras pintarem por aqui?

terça-feira, maio 20, 2008

A esquadrilha contra-ataca




A melhor coisa de reencontrar gente que a gente conhece há sete, oito, dez anos é perceber que, embora a vida tenha mudado, com filhos e casas pra cuidar e novas responsabilidades que a vida insiste em trazer, as pessoas continuam, em essência, as mesmas.

Mais ainda, é impossível não reacender o espírito jovem e descompromissado de outrora quando se revê pessoas que nos remetem ao tempo em que curtir a vida despreocupadamente traduzia a nossa maior preocupação.




quinta-feira, maio 15, 2008

O mal estar do século XXI


Domingo foi dia das mães, e passei a tarde cercado delas, que são muitas na minha família. Foi ótimo conversar e rir com minhas tias e minha dezena de primos, todos mais novos que eu. Um dos tópicos, porém, me deixou bastante assustado: a presença de vários casos de depressão, na própria família e em famílias próximas.


É de fato um panorama assustador. Ouvi histórias de pessoas entrando em depressão dentro do próprio carro, sem conseguir sair pra trabalhar. Pessoas que precisam ligar para maridos/esposas para que estes apóiem a execução das tarefas mais cotidianas, como pagar uma conta ou ir à padaria. Pessoas católicas freqüentando centros espíritas porque já tentaram de tudo. E, claro, todo tipo de “droga legal” (será uma antítese ou um eufemismo?) sendo tomada por pais, mães e filhos, jovens de 20 anos em pesadas dietas de Frontal, Pondera, Apraz, Rivotril, Lexotan e outras tarjas pretas do gênero.


Apesar de até ter despertado certa curiosidade, eu nunca tomei um comprimido desses, nem sei o que é ansiolítico, o que é calmante, o que é produtor de serotonina (talvez uma espécie de ecstasy legalizado?). Contudo, uma conversa com alguns amigos revelou que esse quadro não é tão raro assim. A depressão e o stress, efeitos colaterais do mal estar da civilização moderna, atingem um número alarmante de pessoas.


Digam pra mim: quando foi que ser minimamente feliz ou contente tornou-se uma meta tão inalcançável? Quando foi que a “falta de grana” deixou de ser o problema da classe média, perdendo espaço pra essa nuvem negra que destrói humores e expectativas positivas? Será que as pessoas humildes que trabalham pesado o dia todo, enfrentam jornadas diárias dentro de conduções lotadas e possuem sua cota de problemas domésticos para cuidar têm alguma idéia do que é sofrer de depressão?


Minha irmã deve estar certa: a psicologia é a profissão do futuro. Pelo quadro que vem sendo pintado, em pouco tempo estaremos todos loucos - inclusive os psicólogos.

quinta-feira, maio 08, 2008

Uma nova esperança




Morreu, na semana passada, o químico suíço Albert Hoffman, cuja maior contribuição para a história recente da humanidade foi a descoberta da dietilamida do ácido lisérgico – mais conhecida pelos nomes ácido, doce, cones, microponto, gota, fiote, quadrado, papel, macrobiótico, porongos, bike, filete, selo, trips - ou simplesmente pela sigla LSD. Há exatos 70 anos, durante seus experimentos em laboratório, Hofmann ingeriu acidentalmente uma quantidade de ácido lisérgico e, segundo o texto do Wikipedia, “se viu obrigado a interromper o trabalho que estava realizando devido aos sintomas alucinatórios que estava sentindo”.


Utilizado inicialmente como recurso psicoterapêutico e para tratamento de alcoolismo e disfunções sexuais, o uso recreativo do LSD acabou sendo amplamente difundido pela contracultura americana dos anos 60, fazendo a cabeça de ícones da música como Pink Floyd, The Doors, Jimi Hendrix, Janis Joplin e The Beatles (cuja canção Lucy in the Sky with Diamonds é a referência mais explícita).


Se Hofmann ficou conhecido como “pai” do LSD, o “guru” desta substância foi o Dr. Timothy Leary. Em 1961, Leary recebeu uma grana da Universidade de Harvard para estudar os efeitos do LSD em voluntários, que Leary levava para uma grande fazenda na qual eles poderiam fazer o que quisessem (contanto que preenchessem fichas relatando a experiência que tiveram). Segundo o Wikipedia, “3.500 doses foram dadas para mais de 400 pessoas. Daqueles testados, 90% disseram que eles gostariam de repetir a experiência, 83% disseram ter aprendido alguma coisa ou ter tido uma ‘iluminação’ (insight), e 62% disseram que o LSD mudou suas vidas para melhor”.


Embora refira-se à substância que descobriu como seu “filho problemático” (título de um de seus livros), imagino que Hofmann tenha tomado uma quantidade considerável de ácido, especialmente entre os anos 30 e 60. E isso, aparentemente, não causou efeitos negativos na vida do químico, que morreu no último dia 29 com inacreditáveis 102 anos! Essa história me fez lembrar de Compay Segundo, um dos principais músicos cubanos redescobertos por Ry Cooder para o filme Buena Vista Social Clube, de Win Wenders. Compay Segundo viveu até que os 95 anos, dos quais 90 passou fumando charutos (isso mesmo, o cara começou aos 5 anos de idade, acendendo charutos para a avó).


São casos como estes que me trazem um novo vigor e um brilho emocionado nos olhos, fazendo com que eu continue a ter esperança no futuro da humanidade.